Engenharia de Manutenção – Técnica de Inspeção Visual

A engenharia de manutenção aplicada a elevadores é de suma importância. Entretanto, quando falamos em engenharia de manutenção, na maioria dos casos, pensamos na utilização de equipamentos e recursos tecnológicos complexos e em altos custos operacionais. A inspeção visual é uma das técnicas “ferramentas” de manutenção mais antigas, de maior simplicidade de execução e de menor custo operacional.

A técnica depende da capacidade de observação e da capacidade técnica, de cada técnico ou inspetor, em compreender e traduzir o significado das “não conformidades” observadas. Por sua simplicidade a técnica é geralmente utilizada na verificação de alterações dimensionais, desgastes, corrosão, deformação, alinhamento, trincas e outros. A técnica é um meio eficaz para registro e elaboração de históricos de manutenção, bem como de suporte para análise e tomadas de decisão; podendo ser, ainda, empregada como um meio para realização de Manutenção Preditiva. Portanto, a inspeção visual ajuda a detectar facilmente pontos críticos e/ou problemáticos das instalações elevadoras.

O procedimento exige conhecimento técnico, objetividade e bom senso. O objetivo principal é verificar se os componentes das instalações elevadoras:

· estão em conformidade com as normas técnicas aplicáveis a cada tipo de elevador inspecionado;

· apresentam desgastes dentro dos parâmetros aceitáveis pelas normas técnicas e pela recomendação técnica dos fabricantes, de modo a não comprometer a operacionalidade e a segurança;

· estão em estado perfeito de funcionamento, ou seja, não estão visivelmente comprometidos, de modo a restringir seu funcionamento, ou provocar desgaste reflexo: desgaste prematuro de outros componentes que trabalham em um mesmo conjunto mecânico.

Dicas de equipamentos a serem utilizados em uma inspeção visual.

Alguns equipamentos, de baixo custo, são de suma importância para a realização de uma inspeção visual eficaz.

· Espelho móvel com haste extensora: para inspecionar locais de difícil acesso – Figura 1;

· Pau de selfie para celular: para tirar fotos em locais de difícil acesso;

· Lanterna com corpo de alumínio: sugerimos com uma iluminação de 1000 lúmens;

· lanterna acoplada a boné de segurança ou capacete: de modo a deixar as mãos do inspetor livres, para a documentação fotográfica de “não conformidades”, agilizando e facilitando o procedimento de inspeção.

· Lupa com lanterna: para inspecionar detalhes de peças com dimensões reduzidas, por exemplo, quebras de fios de arame de cabos de aço de tração – Figura 2;


Conclusão

A inspeção visual serve não somente como um instrumento de manutenção preditiva e análise de equipamentos/componentes, mas também para emissão de Relatórios Técnicos Anuais – RIAs -, previstos na legislação municipal de várias cidades do Brasil, de modo a atestar a confiabilidade operacional dos elevadores inspecionados. Os relatórios baseados nas inspeções formarão um excelente Histórico de Manutenção, que será de grande valia para tomadas de decisões referentes ao aperfeiçoamento do processo de manutenção da Empresa Mantenedora. Atualmente, o grande paradigma na área de Manutenção consiste em evitar que as falhas, quebras, queimas e danos ocorram, não bastando apenas consertar a quebra o mais rápido possível, mas evitando que ela ocorra. Existem no mercado várias técnicas e ferramentas de Manutenção Preditiva, no entanto, a mais simples e a de menor custo ainda é a Inspeção Visual, e para que esta técnica possa ser aplicada na Manutenção, se faz necessária a boa capacitação técnica dos profissionais de Manutenção, através de Treinamentos Técnicos Periódicos e da permanência dos bons profissionais no corpo técnico de cada empresa.


Cláudio Henrique Guisoli, engenheiro industrial mecânico graduado pelo CEFET-MG, Diretor da empresa “Vertical Consultoria”, Escritor, Palestrante, Facilitador em Treinamentos Técnicos, Secretário do grupo de trabalho do projeto da norma de inspeções e ensaios em elevadores elétricos de passageiros da ABNT, com 32 anos de atuação no setor de transporte vertical de passageiros.

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