Segurança de elevadores é tema de palestra internacional em Belo Horizonte



Por Desirée Miranda

Legislação atualizada conforme os avanços tecnológicos, fiscalização técnica e independente, gestão compartilhada de responsabilidades e formação técnica específica. Esses são alguns dos requisitos de segurança de elevadores adotados nos Estados Unidos e na Europa e que foram debatidos na segunda edição da Palestra Internacional Gestão de Manutenção de Elevadores, no dia 13 de junho, em Belo Horizonte.

O evento foi realizado pela Associação de Engenharia Mecânica e Industrial de Minas Gerais (Abemec-MG), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) e outros parceiros, no auditório do Crea-MG. Foram convidados para palestrar o presidente da Associação das Empresas de Elevadores dos Estados Unidos (NAEC) e proprietário da empresa Midwest Elevator Company Inc., Gary Schuette, e o diretor da Associação de Elevadores da Europa (ELA) e CEO da empresa alemã VFA Interlift, Achim Hütter. Participaram também o vice-presidente da Associação de Elevadores do Mercosul (AEM) e presidente da Cámara Argentina de Fabricantes de Ascensores y sus Componentes (CAFAC), Rafael Cala, e o diretor da entidade, Marcelo H. Bellossi, representando a Argentina.

De acordo com Gary, nos Estados Unidos, uma das principais exigências para quem quer trabalhar com instalação e manutenção de elevadores é a formação específica na área. Segundo ele, nem todos os estados têm essa determinação, mas ela é obrigatória no estado dele, Missouri. Além disso, ele diz que a legislação de elevadores está em constante atualização. “A tecnologia está sempre evoluindo, ficando cada vez mais específica e as normas de segurança têm que acompanhar”, diz.

Gary afirmou ainda que até o treinamento dos bombeiros é atualizado para acompanhar as mudanças tecnológicas e garantir resgate mais rápido e mais eficiente em caso de acidentes. Gary elencou algumas estratégias para as empresas se destacarem em um mercado tão competitivo, como compartilhamento de informações e busca de conhecimento para consolidação no mercado, atuação em nichos de mercado, oferecimento de serviços com rapidez e confiança e participação em feiras e simpósios para ampliação de conhecimento.

Já na Europa, além da formação especializada dos técnicos, governo, empresas e profissionais dividem as responsabilidades de manter os elevadores seguros. Lá, a lei é rígida e obedecida pelas empresas e a fiscalização independente cobra que todas as normas de segurança sejam cumpridas. De acordo com Achim Hütter, o objetivo final é “nunca ter acidentes fatais nos elevadores”. Ele afirma que por ano, em média, morrem 11 pessoas em acidentes nos equipamentos somando-se todos os países do continente.

O número é bem diferente da realidade brasileira. De acordo com o presidente da Abemec-MG, Marcelo Aguiar de Souza, um levantamento feito pela entidade mostra que, na região metropolitana de Belo Horizonte, de outubro de 2017 até maio de 2019 foram 40 acidentes com 38 vítimas sendo 29 (72%) com usuários, nove (23%) com técnicos e dois (5%) sem vítimas. Isso significa que acontece um acidente a cada 3,5 meses e uma morte a cada 10,1 meses. Neste período, foram 14 mortes. Para Marcelo, os números são preocupantes. “São muitas vidas perdidas em acidentes que poderiam ser facilmente evitados", diz ele.



Para o proprietário da empresa mineira Control Elevadores, Lúcio Francisco dos Santos Junior, as palestras deixaram claras as diferenças entre Europa, EUA e o Brasil e explicam por que acontecem tantos acidentes por aqui. “Hoje, não existe legislação no Brasil que exija formação técnica específica para quem trabalha com instalação e manutenção de elevadores. Isso é responsabilidade das empresas e nem todas investem nisso. Se houvesse um centro específico de qualificação, já seria uma etapa percorrida para a formação profissional”, diz ele. Além disso, Lúcio diz que a fraca fiscalização permite que empresas sem know-how atuem livremente, cobrando preços abaixo do mercado para realizar manutenção, sem cumprir os itens básicos e as normas do Ministério do Trabalho, “colocando em risco pessoas que usam os elevadores sob responsabilidade delas”.

Neste sentido, o presidente da AEM, Fabio Aranha, disse que a palestra internacional foi uma boa oportunidade para conhecer os modelos de manutenção e segurança de elevadores dos países mais desenvolvidos para confrontar com o modelo brasileiro e buscar inspirações para aperfeiçoar o sistema local. Ele confirma que a formação dos técnicos precisa melhorar. “A exigência no exterior é diferente. No Brasil, não há cursos específicos para elevadores e equipamentos e não podemos esquecer que os elevadores são o meio de transporte mais utilizado no país; eles transportam maior quantidade de pessoas que os ônibus”, analisa.

A palestra internacional também atraiu construtoras e condomínios, consumidores finais dos elevadores e os maiores interessados em que os equipamentos funcionem corretamente. O gestor de compras corporativas da Direcional Engenharia, Leonardo Borges, diz que segurança é fundamental e uma preocupação da empresa. “Durante a obra, os profissionais têm que ser resguardados. Por isso, é importante conhecer as normas corretas e como isso se dá no mercado de elevadores”, diz ele.

Já o presidente do Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos de Minas Gerais (Sindicon MG), Carlos Eduardo Alves de Queiroz, afirma que melhorar a segurança dos elevadores é de suma importância, já que é nos prédios que eles funcionam e, por isso, onde acontecem tragédias. “Ao longo do tempo, temos visto muitos acidentes, inclusive com vítimas fatais. Por isso, é essencial que os síndicos possam confiar nas empresas e nos técnicos, já que a responsabilidade é compartilhada. Neste sentido, precisamos evoluir nos critérios técnicos que regem todo o sistema”, defende ele.

É justamente pensando na segurança de usuários e técnicos de elevadores, que a Abemec MG insiste na importância da manutenção correta e fiscalização técnica independente dos equipamentos. O diretor da associação e conselheiro do Crea-MG, Ronaldo Bandeira, diz que, no Brasil a vistoria é realizada através da análise de documentos, mas isso não é suficiente. “A fiscalização, seja do governo ou de empresas deve ser técnica e independente, o que os estrangeiros chamam de terceira parte. Só isso vai garantir maior segurança dos equipamentos”, conclui Ronaldo.


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