Tecnologia para elevadores pode salvar vidas em incêndios em arranha-céus e edifícios elevados


With Salamandra Zone, elevators may become the safest escape route from a high-rise fire. Image via Shutterstock.com

Dezessete anos após o 11 de setembro, uma startup de Israel está testando uma solução para tornar o elevador em um “safe room” – ou “quarto seguro” – que poderia facilitar as operações de resgate. Quando um incêndio ocorre em um prédio, as normas de segurança dizem que você não deve entrar no elevador. Mas e se o elevador fosse a maneira mais rápida e segura para se evacuar um prédio em chamas?

A Salamandra Zone é uma Startup de Israel que deseja possibilitar que pessoas presas em edifícios em chamas possam escapar através do elevador. Hoje, os elevadores desarmam automaticamente quando detectam um incêndio por causa dos gases tóxicos liberados pelo fogo, que rapidamente tomam conta da cabine.

De fato, quase 95% das mortes em incêndios em edifícios não são provenientes de queimaduras, mas sim da inalação de gás carbônico e outros gases tóxicos. Esses mesmos gases também chegam às escadarias, fazendo o ambiente ficar tão tóxico quanto a cabine do elevador e muito mais perigoso quando se juntam centenas ou milhares de pessoas em pânico tentando escapar do prédio ao mesmo tempo.

A solução da Salamandra Zone: não desarmar o elevador. Ao invés disso, transformar a cabine do elevador em um ambiente seguro que possa facilitar as operações de resgate. O principal produto da Salamandra Zone em desenvolvimento é a B-Air, uma pequena caixa colocada no topo da cabine. Essa inovação, baseada em anos de pesquisa em química e engenharia, tem duas funções.


A test of Salamandra Zone’s B-Air for elevators. Photo: courtesy

A primeira: converter os gases tóxicos em ar respirável em nano segundos. A segunda: adicionar uma forte ventoinha em cima da cabine, que puxaria ar resfriado para o elevador e consegue prevenir a entrada da fumaça – e funciona até com as portas abertas. A B-Air tem uma bateria que suportaria até três horas de operação.

“Arranha-céus são bastante vulneráveis”, diz o diretor de operações Gil Tomer. “Permanecer no seu lugar e esperar os bombeiros não é uma opção. As mais altas escadas no mundo conseguem alcançar apenas o 12º andar”, diz. Os arranha-céus modernos tem dezenas de andares e as vezes até mais de 100 – como o Burj Khalifa em Dubai com 160 andares e 57 elevadores.

E se você precisar de uma prova de que prédios altos podem ser mortais, basta você voltar a 2017, quando ocorreu um incêndio no prédio de 24 andares, Greenfell Tower em Londres, matando 72 pessoas. Os bombeiros disseram aos moradores para ficarem em seus lugares e esperarem o resgate. O conselho foi desastroso.

Os sensores sofisticados da B-Air podem detectar exatamente a concentração de gases nocivos no lado de fora. As unidades contém um mix de químicos que reagem instantaneamente aos gases da fumaça e a transformam em ar respirável. O dióxido de carbono (CO2), por exemplo, é dividido em seus componentes moleculares até que fique apenas o oxigênio (O2).


Ao converter os gases, a B-Air suga o ar tóxico do poço do elevador para a cabine a 72 quilômetros por hora, criando uma zona de alta pressão que mantém todos os gases não filtrados para fora. Ela pode ser facilmente instalada em um elevador existente.

E quanto ao medo de que o fogo no poço de um elevador arrebente os cabos do elevador? Esse tipo de construção já passou há muito tempo. “Décadas atrás, os poços de elevador foram construídos a partir de materiais diferentes, incluindo madeira”, observa Tomer. “Hoje, o poço é uma das áreas mais protegidas de um prédio. É feito de concreto e nunca pega fogo.”

Para que um edifício mude os protocolos e permita que seus elevadores continuem operando durante um incêndio, o sistema B-Air deve funcionar sem falhas. Essa foi a principal razão pela qual toda a equipe de sete pessoas da Salamandra Zone passou três semanas nos escritórios do Underwriter's Laboratory, nos Estados Unidos, no início deste ano para realizar testes. Tomer estima que levará um ano até que a B-Air seja liberada adotantes, tais como edifícios premium, hospitais e casas de aposentadorias.

A B-Air também pode criar salas de refúgio como as exigidas pela lei israelense para novas construções após a Segunda Guerra do Golfo.


From left, Salamandra Zone’s COO Gil Tomer, administrative manager Galit Givon, Founder & CEO Marat Maayan, chief chemist Uri Stoin, senior chemist and head of laboratory Sasha Kurochkin, CTO Joseph Kudish and Liron Heffetz (control and operation). Photo: courtesy

C-Air para indústria

O segundo produto da Salamandra Zone, C-Air, destina-se à instalações industriais que possam ter um vazamento de gás ou simplesmente precisam de uma maneira mais eficiente e menos dispendiosa de limpar a produção poluída de suas instalações.

Instalar a C-Air no final do tubo – ao invés ou em adição ao purificador - pode limpar o gás “com 99,8% de eficiência”, afirma Tomer. Além disso, “a infraestrutura é mais barata e precisa de menos química”.


Gil Tomer, COO of Salamandra Zone. Photo: courtesy

Tomer espera que a C-Air seja lançada no próximo ano, a tempo de as fábricas europeias estarem de acordo com uma mudança na forma como a União Europeia rastreia a poluição - desde a medição da concentração até a medição do peso.

"Eles só têm dois anos para parar essas emissões", diz Tomer. "É como uma espada pendurada no pescoço deles."

Uma vez que o sistema ganhe força na Europa, os Estados Unidos e a China (com suas famosas cidades poluídas e um mandato do governo para limpá-los) serão os próximos. A Salamandra também tem cartas de intenção para instalar a C-Air em três plantas industriais em Israel.

A Salamandra Zone foi fundada em 2014 por Marat Maayan, após 27 anos de carreira nas Forças de Defesa de Israel. Um de seus últimos papéis militares foi mapear e identificar riscos para edifícios em instalações sensíveis. Um risco que ele encontrou: a evacuação do fogo.

Maayan se juntou ao Instituto de Química Aplicada do Instituto Casali da Universidade Hebraica, Yoel Sasson, que recebeu uma patente provisória para converter o dióxido de carbono em ar respirável. A Salamandra Zone foi formada como uma empresa privada que colabora e compartilha patentes com a universidade. Sasson atua como conselheiro científico sênior da empresa.


Salamandra Zone founder and CEO Marat. Maayan. Photo: courtesy

A sede da Salamandra Zone fica em Yehud, com a pesquisa e desenvolvimento na Universidade Hebraica de Jerusalém. A empresa arrecadou US $ 2,5 milhões da Autoridade de Inovação de Israel, investidores privados e o fundador Maayan.

O nome da empresa é hebraico para "salamandra", um animal que pode respirar ar, mas também vive na água, diz Tomer. “Tribos antigas na América do Sul chamavam salamandras de 'criaturas divinas' porque podiam sobreviver a incêndios florestais enquanto outros animais fugiam ou morriam. As salamandras mergulhariam na água e só apareceriam depois que o fogo tivesse acabado”, explica.

Poderia a Salamandra Zone ter ajudado a salvar mais pessoas durante o ataque de 11 de setembro em Nova York? Tomer diz que “absolutamente sim, observando que no início as pessoas eram capazes de evacuar por elevador, mas eventualmente os elevadores de ambas as torres pararam antes que mais pessoas pudessem escapar.”

Com base nos modelos executados pela Salamandra, a tecnologia israelense teria sido um salva-vidas. "Eu não quero dizer um número específico, mas baseado em nossos cálculos, poderia ter sido na casa das centenas."

Tomer acrescenta que, além de salvar vidas e combater a poluição, a revolucionária tecnologia da Salamandra poderia melhorar muito a qualidade do ar em áreas urbanas, se usada em conjunto com sistemas de climatização AVAC.

Fonte: https://www.israel21c.org/could-israels-salamandra-zone-have-saved-people-in-9-11/


Smoke billows from the Twin Towers after two airplanes hit the buildings on September 11, 2001, in New York. Photo via Shutterstock

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