Uma empresa que oferece a maioria de seus produtos de graça consegue sobreviver?



Você consegue imaginar ou se lembrar de alguma empresa que se enquadre nesse cenário? Se sim, que bom! Se não, tente lembrar alguns serviços que você utiliza diariamente. O Youtube é um exemplo disto. O Google, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo trabalha praticamente focada na chamada “economia do grátis”. O Livro Free, de Chris Anderson retrata muito bem este tema.

O Google oferece inúmeros serviços gratuitos para os usuários (Gmail, Google Fotos, Blogger, Google Maps, Youtube, Google Drive, Google Earth, Google Tradutor, entre diversos outros) e cobra apenas por alguns serviços. O buscador mais utilizado no mundo oferece todos esses serviços gratuitamente e sua receita é derivada dos Links Patrocinados, chamado Google Adwords. Esta é uma política da empresa, oferecer todo tipo de serviço gratuitamente e sua receita ser referente a um ou outro serviço.

E isso funciona? Parece que sim! Segundo a revista Forbes, o Google é a segunda marca mais valiosa do mundo, ficando atrás apenas da Apple. Como é possível uma empresa valer tanto praticando a “economia do grátis”?

Atualmente, marcas, empresas e pessoas ganham muito dinheiro sem cobrar nada. O Facebook é outro exemplo desta economia. Quanto você paga para utilizar a rede social? Dependendo da quantidade de likes que você dá durante o mês é o que vem cobrado em seu cartão de crédito? Não!

O Facebook oferece um serviço gratuito para bilhões de usuários, faz com que bilhões de pessoas tenham entretenimento dentro de uma plataforma de relacionamento e seu faturamento é provido de empresas que querem anunciar para pessoas que estão dentro desta plataforma.

Você já leu algum artigo no site Wikipidia? Eu também, vários! Você já utilizou alguma ferramenta para sincronizar arquivos nas nuvens, como o One Drive da Microsoft ou então o Dropbox? E todos esses serviços são oferecidos gratuitamente.

Agora pense em quantos serviços “grátis” você utiliza diariamente fora do ambiente online. A TV aberta também se enquadra nesses serviços, a rádio, o estacionamento do supermercado, a máquina de calibrar pneus no posto de combustível e diversos outros exemplos.

Esta economia não significa que você vai oferecer algo gratuitamente e seu lucro sempre será zero. O grátis é um caminho para que você chegue a receita, mas de uma forma muito mais interessante. É claro que o exemplo citado acima, da máquina de calibrar pneus, pode ser considerada como um “bem complementar”.

A intenção dos serviços grátis é transferir o dinheiro de um produto para o outro. Da busca do Google, para a ferramenta Google Adwords. Do Android (sistema operacional do Google) para a Play Store (a loja virtual do Google). Isso foi o que aconteceu com King Gillette. Um inventor frustrado que além de todas as suas ideias, energia e pais ricos, seu trabalho rendia poucos frutos. Sempre atribuía seus fracassos a concorrência no mercado.

Um dia, enquanto fazia a barba com uma navalha gasta, teve uma ideia. E se a navalha pudesse ser feita com uma fina lâmina de metal? Alguns anos depois de pesquisa e experimentação, nasceu o aparelho de barbear descartável. No primeiro ano, em 1903, o negócio foi um fracasso. Gillete vendeu um total de 51 aparelhos de barbear e 168 lâminas. Durante anos, o inventor tentou diversas estratégias de marketing, inclusive colocou o próprio rosto na embalagem e de nada adiantou.

Uma das estratégias de marketing utilizada foi vender milhões de barbeadores ao exército com um enorme desconto, esperando que os soldados desenvolvessem o hábito de se barbear com o aparelho, assim futuramente, após o período do exército os soldados continuassem usando os aparelhos.

Enfim, foram várias tentativas. Outra ação em parceria com alguns bancos era dar um barbeador de presente para quem realizava um depósito no banco. Então foi feita uma negociação com alguns bancos e vendido mais alguns milhares de barbeadores a preço de banana.

E esta estratégia começou a dar certo, pois quando Gillette praticamente dava os aparelhos de barbear, estava criando demanda por lâminas descartáveis. Como era um produto novo, bom e fácil de usar, uma vez que os clientes se acostumavam com as lâminas de barbear, adeus navalha!

Alguns anos e bilhões de lâminas mais tarde, esse modelo de negócios passou a fundamentar diversos outros modelos que conhecemos atualmente.

Lembra quando você ia até uma loja de celulares e tinha alguns modelos de celulares gratuitos, mas você precisava adquirir um plano de telefonia mensal? Ou até mesmo o seu console de vídeo game que possui um preço acessível, mas os jogos são bem caros.

Embora o Grátis do passado seja um pouco diferente do que nos dias atuais, temos uma vantagem que é a economia digital. Quanto custa para o Youtube hospedar bilhões de horas de vídeos? Ou seja, qual é o custo do armazenamento de dados, por exemplo?

Hoje pode custar X, mas daqui alguns meses custará 50% menos. Poucos anos atrás uma televisão de Plasma de 42 polegadas custava facilmente R$ 10 mil reais. Hoje encontramos por menos de R$ 1 mil reais.

A evolução da tecnologia nos auxilia e muito para que tenhamos baixo ou nenhum custo no ambiente online. E como sua empresa pode tirar proveito disto para entrar neste segmento do grátis?

A psicologia do grátis é muito interessante e mais cedo ou mais tarde, toda empresa precisará descobrir formas de utilizar o grátis ou competir com o grátis.


Sobre o autor

Darlan Evandro

Profissional de Marketing, apaixonado por ferramentas digitais e comportamento do consumidor. Graduado em Marketing e Propaganda e MBA em Gestão de Negócios. Experiência em Marketing On e Off-line atuando no segmento desde 2010. Email:contato@darlanevandro.com.br / Site: www.darlanevandro.com.br

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